sábado, 10 de setembro de 2016

Horizontal

O amor do homem sempre está no alto
Naquela parte mais sublime de todo ser.
Naqueles montes onde fadigado se chega.
Cruzeiros esperando os homens
Mostrando o quanto o amor é horizontal.
Bondade que aponta para todos os lados.
Fincada nas partes altas da vida
Nas partes altas das crenças.
Todo homem é uma cruz.

Subir

Essa fumaça me embala.
E o vento que entra pela janela
range meu balanço.
Subo,
fadigado paro,
mas só ate o vento voltar a soprar.
São tantas sensações que preciso voltar ao embalo da subida.
No alto encontro os sons que não esperava,
e vejo o que nem imaginei.
Pendurado por cima de mim
crianças dançam.
Homens também dançam e trabalham.
Girando enquanto o vento continua.
O vento não cessa.
O ranger do embalo não cessa.
E tudo que quero é subir
Descobrir o que só do alto o vento da vida pode ensinar.

sábado, 4 de junho de 2016

Seu dia

Hoje a lua demorou a sair
Era quase tarde
E eu te esperava
Era quase escuro
E ainda vasculhava minhas gavetas
Todos os resquícios isolei em mim
Era seu dia e a lua se atrasou
Era seu dia, suas vontades
Em quartos trocados ficaram nosso fruto, nosso afeto
Enquanto queimava o álcool, te esperava
Sobrou seu dia
Sobrou nossa vida
E a lua já estava no alto.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Murilo

Em apenas quatro mêses de paternidade algumas fichas começaram a cair, presumo que ao longo da vida de um pai essas fichas caiam aos poucos, diariamente. Com isso, os sentidos da paternidade vão se clareando.

Me sinto uma pessoa melhor, com todos os significados que essa frase possa ter,  percebo que ser pai tem melhorado minhas percepções de mundo e vida. E eu tô adorando isso!

Me vejo atualizando a todo momento minhas prioridades, nada mais é tão simples e por acaso, afinal, a vida e futuro de um outro indivíduo depende também disso.

A paternidade me faz mais feliz, tem sido um aprendizado muito gratificante e as retribuições vem em risos, choros e muitos momentos felizes.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Eterno

e nesse momento te amo
quando sou surpreendido pela paz do seu choro
quando seus olhos ressoam dentro de mim
e me vejo em você como nunca antes

e nesse momento te amo
quando percebo que não há outra pureza no universo
como há em meus braços.

nesse momento te amo, nesse exato momento
quando o tempo não é momento e nem exato
mas é sutilmente  eterno

quarta-feira, 4 de março de 2015

Crochê

São só vidas acamadas sobre pedras
aflição, espera e medo.
Pedaços de alegrias sem ambiente
companhias indesejadas dentro de casa.

A poeira a sujeira os grãos de areias
portas abertas nas cutículas
esgoto entupido e a falta de água.

Os livros não acalmam
a tv e o rádio também não.
Ah!O crochê
O crochê e as esperanças
São só vidas acamadas sobre pedras


sábado, 28 de fevereiro de 2015

Morros

Entendo os sinais
Leio na sombra dos morros.
A religião me surrupiou muito tempo.
Energia que não entreguei ao vento
Nem ao verdadeiro lirismo da vida.
Horas que poderiam ser dadas a beleza das palavras e não à moral delas.
Empreguei força empurrando morros que deveria ter subido.
Negligenciando história, tempo e essência.
Afastando me da subjetividade do meu reflexo e do reflexo infiel do meu deus.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Métrica do impulso

Escrevo letras carentes
Na métrica do impulso
Sem pretensão de valor.
Versos não valem nada
Não compram nada.
Carregam o peso dos homens
O Sentimento do Mundo
Mas não mata fome.

Escrevo frases pobres
No ritmo de café com bolo
Sem pretensão de valor literário ou monetário.
Versos carregam a Lição de Coisas
Que não servem para o mundo.
Alguma Poesia, serve?
Poesia Ate Agora, serve?
Poesia sem pretensão é a poesia itabirana que serve.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Janela

Não tenho o mundo
Tenho uma janela
E ela me basta
Tenho imagens figuradas, literais
Tenho o vento, o sol
E também uma esperança.

Não tenho riquezas
Tenho uma janela
E ela me basta
Tenho sons e pipas
Tenho a sombra, a montanha
E também uma esperança.

Não tenho o céu
Nem a visão do céu
Tenho a vida e ela me basta
Tenho a janela
E a esperança que me basta.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A passagem dos dias

Deixo em paz meus olhos.
Na varanda que me assento
Tudo está revolto
As nuanças do silêncio
Os passos da vida.

Em minha frente a distância
Se mede em dias e semanas
Sem sons nem tons
Sem gritos ou choro
Deixarei em paz meus olhos.

E que rufem os tambores.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Trinta (A passagem das horas)


"Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma cousa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso e longínquo..." (A passagem das horas, Álvaro de Campos)
Chego aos trinta sem muita clareza se isso significa um rito de passagem ou iniciação. Uso a poesia de Fernando Pessoa pra tentar me compor, já que ele sempre faz isso muito bem.
Hoje depois de muitas vivência, percebo que, " o meu olhar é nítido como o girassol... " (Alberto Caeiro). Procuro ver meus dias com a lucidez e força que essa vida além da beleza e pressa exige.
Me parece que pouco tempo tenha passado, sinto minha infância muito viva e próxima de mim, mas passei a dimensão onde apenas vivia sendo levado, para a dimensão em que me descubro no tempo tentando criar sentidos para a vida.
Nasci, cresci, me formei, fiz amigos do peito, encontrei o grande amor da minha vida, perdi três filhos.
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo..." (Tabacaria, Álvaro de Campos)
A linha reta que trilhava começa lentamente a fazer sua curva, vejo principalmente no corpo e nas marcas que não sou o mesmo dos vinte. Mas sigo atando os fragmentos que me compõem na vã tentativa de um auto conhecimento. Já descobrir que sou acima de muitas coisas, minhas incoerências e contradições, e quanto mais existo, me desconheço.
Obrigado vida, Léia, família, irmãos e amigos!
"O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só..." (O pastor amoroso, Alberto Caeiro.)

sábado, 1 de novembro de 2014

Chamado

O grito vem de onde o silêncio habita nos ventos
das planícies altas de baixas árvores
onde o eco é livre e limpo.

Responder ao grito é reconhecer sua origem
saber o quanto seu universo é imutável em essência.
A terra, a pele.
A água, a pele.
O vento, a pele.
O mundo, a vida, o grito.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Vidas

A vida longa que se pretendeu
dissolveu-se em dias.
E todos os momentos imaginados
foram momentos de uma outra vida
agora, congelada em algum lugar no tempo.

Os sorrisos que poderiam ter afetado corações
transformou só quem o imaginou.
Não encontraram lugares para que pudessem dançar
e por não encontrar
resolveram criar suas próprias rodas
Três vidas sorrindo, dançando e aquecendo
espaços e tempos
desta vida.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Mar

Minha imaginação é livre como o vento,
como o sonho.
Sustenta todo universo que presumo.
Se reinventa a cada novo monte que a vista alcança.
De certa forma,
meu mar sempre está atrás da próxima serra.
O menino preso a rabiola,
descobrindo o mundo fantasioso de viver sob o céu de Minas.
Aqui, atrás de uma montanha sempre tem outra,
e o mar é inventado na imaginação de um menino.

Memória

Foi a saudade que trouxe a existência esses espaços.
Por que a memoria se encarregou de amar e criar pessoas e cenários, onde janelas supõem possibilidades de vidas.
A memória descompromissada com o por vir, não teve tempo de amar tudo o que queria.
Então novas vidas surgiram para continuar amando o que nunca existiu.

Para: Rubem Alves.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

tempo

Confuso esse tempo.
Com o fuso-horário da minh'alma
Me perco e encontro toda hora.

Tudo

Atras do sol me coloco e escondo tudo que sou.
Lá ponho minha carne exposta pra quará
pendurada em varal de perdas.

Atras das montanhas de Minas me coloco e mostro tudo que sou.
Lá ponho meu corpo estático pra se enveredar
subindo pra onde perdas não me encontre
e o sol queime minha pele ate que eu entenda tudo.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Belo Horizonte

Em Belo horizonte não vejo deus.
Vejo muros e nem todos são cinzas.
Vejo prédios e janelas, incontáveis.
Esses sim cinzas, todos, mesmo que pintados.
Em cada janela vejo deus querendo pular.
Um belo horizonte vejo quando não estou em minha varanda que fiz para ver deus.
Ele pulou.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Pouso

Na desordem dos dias
onde os santos correm para suas igrejas
e os perversos fumam e tomam café
a Balbúrdia e o caos encontram pouso em um canavial.

Antes de entrar nessa selva, deve-se rezar
pedir a qualquer deus que não se perca.
O alarido não cessa
e descompassado o samba continua.
Caótico e anárquico as regras se rendem e pousam em um cafezal.

Estar às avessas, estar em desordem
exatamente assimétrico com toda atrofia de uma vida.
Declínio e impotência que não acham voz.
Sólido e inquebrável, só a fraqueza que encontra seu pouso na carne e na fé.

quarta-feira, 26 de março de 2014

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Trilhas

Por vezes me deixo levar pelos meus pés.
E trilhas me levam de mim pra onde desconheço.
Distante  dos velhos caminhos
e pra dentro de nuvens, poeira, terra e minério
onde nada se vê.

O sol morrendo no final da trilha onde nunca estarei, traz paz.
E até a noite me guia enquanto trilhar.
Depois,
retoma-se os passos
e os caminhos acostumados.



sábado, 30 de novembro de 2013

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Refém

Esse olhar acostumado a tudo nem percebeu
Na rua, uma nova fachada de vidro
No peito, uma nova vontade velada

Esse olhar direcionado
Dependente de cores e formas 
Perdido em letreiros luminosos de zona
Mas uma vez nem notou
Na rua, uma nova pichação 
No peito, um novo acorde instrumental

Esse olhar formatado e obvio
Sem direção ou perspectiva
Sempre olhando para as mesmas janelas
Mesmos outdoors
Não espera ser surpreendido
Apenas olha...
Refém de sua cegueira.




terça-feira, 5 de novembro de 2013

Vem

Vem de longe
lá de Minas
Vem da alma
do meu sangue

Da clareza exposta
O sorriso limpo
do cuidado
vem da pressa esquecida

Me disseram das flores 
das montanhas 
E só pedras calçaram a vida
pés e carne

Vem do antes 
do meu sempre
dos sentidos do agora
amor, verdade, amor.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Ser

Tecer a vida é entristecer
Fornecer retalho e retalhos a colcha de perdas que faz calar o choro,emudecer.
Envelhecer nesse mundo é embambecer as pernas, vencer seu tempo 
e torcer para desaparecer.


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Parei

Exausto continuei  os passos sobre o asfalto quente.
Fui o mais distante que pude,
ate onde minha xícara de café me dava forças.
Espalhadas no chão ficaram as mais frágeis/absolutas convicções.

Pra dentro do mar fui ate onde não me dava mais fé.
Calmamente flutuei,
fui levado
Mas não me sentia leve.
Encontrei meus anos.
Minha carne vermelha.
Me vi em espelhos sob marquises.
Palavras me atravessavam.

Subi o monte mais alto que avistei
Onde de braços abertos cristo estava
E endiabrado lhe estendi as mãos
na tentativa de salva-ló.
Sobre pedras de minério minh'alma descia
 ao ades de um encontro marcado pra terminar.
E parei.
Exausto com os passos que dava.

sábado, 28 de setembro de 2013

Dores

As dores que me compõe
não se mostram no canto
nem nos acordes de veias e artérias
amplificado no músculo de ressonância
que finge sentir enquanto retumba.

As dores de uma história
marcadas no corpo
na carne de dentro
ressoa com fidelidade só onde se liberam as idéias
ecoando sobre toda extensão da pele
vibrando sobre toda massa corpórea.

As dores que crescem e as que param
sobre o mesmo ser
instrumento que se toca
que se vibra
involuntariamente
movimento ritmado
peristáltico
que expulsa tudo em mim
ate as dores que eu não canto com meu corpo.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Sem

Em vão...

Guardo o pranto,
Engulo o choro,
Engano o medo.

Em vão...

Refaço me em frases curtas.
Os olhos querem denunciar.
Os lábios trêmulos, as mãos suadas, ansiosas
Já denunciaram.

Em vão...

O crescer sem esperança.
E existem tantas coisas...
Não esperar ser surpreendido é impossível.
Mesmo que se perdendo aos poucos
Entre os dedos contados das mãos.
Mesmo a fé se escondendo onde qualquer um encontra,
Acoada entre paredes.

Em vão...

Entrego me a razão
A tudo que a vida me fez
Agarro  me onde não existem suportes
Onde se dissolve tudo que já cantei
Preso onde se limita o que penso que aprendi
Minhas rezas, orações
Minhas inseparáveis contradições

Em vão...

Continua os passos
Sem os choros que eu queria ouvir
Sem meus silêncios duplamente quebrados.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Solta pelo ar

Matéria solta no ar
balança rangindo um som
que adormece o corpo, as esperanças, o olhar

longe do chão muda-se o ritmo
o embalo da alma perde o tom
sem movimento tudo fica estagnado no íntimo

A vida não acontece na inércia
parado sem pulsar não existe dom
a dor se torna mentira, gritos de falácia

Um barulho, um susto, sem sofisma
a inércia quebrada se transforma novamente em som
o corpo vibra com os olhos abertos bem distante da lástima

E a vida prossegue rangindo solta pelo ar.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Duplamente

Se refaz os passos para seguir
E ainda assim o novo transcender sobre o viver
Nunca será o suficiente para entender.
O silêncio sempre se quebra.
Falta experiência.
E o silêncio se quebra novamente.
Sobra esperança por todos os cômodos
E medos também.
Moderado então só o crescimento do corpo
Habitado de beleza.
Falta tempo de viver e estar.
E ainda que longe o silêncio se quebra novamente.
Mais uma vez...
E outra vez mais...
Tudo que se pode querer e estar perdido
E ter duplamente o silêncio quebrado
Por toda longa, árdua e extraordinária vida.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Ventou

O vento sopra minhas nuvens
e minha referência fixa contrasta com esse céu
não mais limpo.

Move
se movimenta
por cima de mim
sobre tudo que sou.
Perco os passos.

Não quero a beleza
não me interessa o tempo
abro mão da poética
desisto dos raios entre troncos
mas não perco as cores do sol se pondo...

terça-feira, 25 de junho de 2013

Incoerência

Grito para as montanhas do meu chão
são essas raízes expostas sobre a terra que me sustentam
vezes rasas, hora profundas
São elas
São minhas.

Grito para o mar
O meu mar de montanhas
Sou minhas contradições e fé
Penso no tempo que cresço
Meus desejos sufocados
Crenças perdidas.

Grito para o céu
O meu céu nublado limpo
Pondero o imponderável
Negocio com a paz.

Grito, grito, grito
E torno a abraçar minha incoerência.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Pele e alma

Pele que habita minha alma
meu mundo, meu corpo
revela  quem sou
envolve meu espírito.

Parte de um todo 
dessa parte em mim
inegável, indissociável, imutável.
Amável parte que me forma, constitui.

Desvalorizada parte
marca crespa em meu corpo
marcando e hierarquizando o que é belo
me negando esse lugar.

Feio que sou
me desfaço na dança
no tambor do meu chão
nos movimentos da minha fé.

Meus lábios beijam
reconhecem a vida, sua alegria.
Este sol que me cria
inflamada parte dessa busca negada.

Negra pele que sou
parte dessa alegria
da maior beleza que o homem 
já alcançou.


                     


domingo, 5 de maio de 2013

Matéria

Não minto
Não jogo
Não suponho
Claro como o medo
Nítido como os olhos
Sou exatamente o que essa cadeira me diz
Setenta e oito quilos de matéria.

sábado, 4 de maio de 2013

Pele

De onde estou
Nesse exato momento
Tudo o que vejo é sua pele.
Seu mundo não é esse
Mas meus poros
Minha cor
Querem te tocar.
Já não penso
Não desejo
Não te vejo quando fecho os olhos
Mas preciso do paladar da sua pele.
Monto e remonto
Crio e recrio
Imagino
Deixo a incoerência
Tudo é vago
Distante
Em vão.
Só vejo sua pele
Sem consciência
Sem sentimento
E tudo o que quero
De onde estou
É seu abraço.



quarta-feira, 3 de abril de 2013

Mistura


Mistura testosterônica de poesia
Fragrância e suor
Mansidão, beleza e paz
Tristeza contida
Alegria derramada

Do meu tempo
Sobre mim
Do que não vivi
Sobre amigos

Das revoltas e medos

Não pergunte a mim
Meus lábios não dirão
Somente as estradas e seus radares
Saberão quem por eles passaram de verdade

A resposta fica por conta
Das pedras
Imutáveis minérios
Não se transformam em nada
Nem em ferro.

terça-feira, 12 de março de 2013

Embale



Lixo embalado por braços ternos
como quem embala uma criança a ninar
que acaba de ser encontrada em uma esquina qualquer
de Belo Horizonte

Lixo Embalado por sacos negros
como se fosse lixo
resto e sobras de efêmeros valores
Sucinto, misturado, limpo e sujo

Lixo ocidental
embalado por canções das minas
de Milton, Lô e Márcio
Lixo da pinga, do pão com café, da cesta básica

Lixo embalado ladeira abaixo
sem ter como parar
transforma a todos que encontra

Na lixeira uma placa
EMBALE SEU LIXO!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Subo

Subo depois da chuva.
Sua cor é ainda mais verdadeira.
A cada passo a alma pulsa nas veias.
Sigo o abstrato figurado.
Meus sentidos.
No cascalho, no minério, na poeira e no barro.
Todos batizados com minha alma metabolizada em suor.
Batizando minha pele com sua rubra cor minérica.
Meu rastro se encontra com pegados do outro.
Subo, corro, ando, canso, paro.
Não interessa quanto falta
Mas o quanto foi percorrido.
Não ouço o concreto, a pedra e o ferro
Apenas essa alma que pulsa nas veias.


Sinto


Sinto e vivo
Pressinto e oro
Absinto e deliro
Assim tô em paz
Acintado em Deus.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Xícara de paz


Dentro da caneca o açúcar saturado, cansado e enojado da vida
é forçada a diluir se com cinco ou seis chacoalhões.
Nos óculos embaçado pelo vapor, vejo que ouço a canção da espanhola.
Mesma mesa de madeira.
Mesmo disco.
Diferentes poemas, questionamentos.
Mesma garrafa preta,
com pressão que provoca espuma e altera o sabor, humor e calor.
Mesma medida desmedida com pouca variação.
Quase pronto, mas não agora.
Falta póuco, para sempre.
Antes, é preciso coar a dor.
Não naquilo que é descartável e sem memória, de papel e cruel.
Mas onde existem marcas, cor, cheiro, e estórias em tecido.
Depois fica o que é líquido, suave e simbólico.
Fica o cheiro.
A essência que foi cuada e a dor, joga se fora.
Sento e tomo uma xícara de paz,
que eu mesmo fiz.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Pelo sorriso

É culpa da ausência
que depois de ter caminhado meio mundo
não chegou onde precisava.
Foram aqueles pés intinerantes,
aquela mente nômade,
que causou toda essa falta.
O homem é feito somente de amores,
mais nada.
Aqueles que já passaram
mas nunca foram esquecidos.
e aquele que sorri de um jeito que te aprisiona,
enlouquece
e pertuba.
A vida é essa música embreagada
Que te engana pelo álcool, pela poesia ou pela canção.
Mas te engana.
É essa tentativa de manter próximo
todos os amores ausêntes, intinerantes e nômades.
Ávida em parar.
E se não existissem os sorrisos?
E se os homens não pudessem sorrir?
Como saberia que seria você?
Escolho meus amores pelo sorriso,
atraves deles vejo suas almas.
Não pelos olhos.
Pelo sorriso.
Peguei todas as fotos que você sorria
tirei dos albuns velhos guardadas em caixas de sapatos velhas
selecionei todas que estavam no computador
E te olhei,
olhei você sorrindo
imaginando que fosse para mim.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Passado

Quero minha vida
Não essa
A primeira
Minha laje
Minha noite
Minhas estrelas
Minha lua
Quero a espera no portão
Minha solidão
Quero meus cadernos velhos
Meu velho violão
Quero minha bagunça
Minha coberta
Minha confusão
Na madrugada
Quero a conversa alta
dos meus primos
tios
e mãe.
Quero a porta aberta
Quero aquela ausência
Quero voltar
Quero a segurança dos dias que já vivi.

Nada ouço

Tento ouvir os trovões e raios no horizonte da noite
Mas só vejo seus clarões trazendo a tona dos meus olhos
Coqueiros e mais coqueiros.
Nada ouço.
Tento ouvir além da noite
Das nuvens.
Tento ouvir a natureza
Não a humana.
E só escuto estupros no silêncio.
Nada ouço.
Desligo o som
Desligo ate a música
Nada ouço
Nem a chuva.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Grandeza


Estradas que se estendem sobre o asfalto
vão muito além dessas curvas
insistem em se esconder.
Horizontes que se abrem além do topo do mundo
do curral
e da moça que rola.
Imagens gerais
a memória jamais apaga
pois amou de tal forma que ali se reconhece.
Mundo que se mostra através de janelas
que ninguém escolheu abrir
berra nas esquinas dizendo ser imenso.
Grande mesmo são esses muros
já estavam ai
ninguém ousa pincha los.
Longa é a rotação da terra
no instante que no crepúsculo a estrela se põe
E eminente mesmo é o homem que vive.

 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Caixa

Em em algum lugar do quarto do segundo piso, existe uma caixa de alegria que vive triste. Todas as vezes que subo a escada o barulho é inevitável, e a caixa se enche de esperança, esperando ser aberta, esperando ser usada.
Certo dia precisei de outra vida, poderia ser qualquer uma, desde de que fosse alegre.
Subi as escadas, acendi a luz do quarto, e depois de alguns minutos abrindo e fechando gavetas, tirando e voltando com bagunças empoeradas, lá no canto da mesa, embaixo de alguns livros, estava ela, a caixa de lápis de cor, ávida para ser aberta e encher de cor os mais pálidos ofícios, liberar sua excência de alegria.
Ela me contou da sua tristeza, de como eu havia me esquecido das cores. Disse que o tempo tinha me tirado da sua companhia, e lembrou de como eramos inseparáveis e que eu detestava esquecer em algum canto qualquer, qualquer cor. Me falou da expectativa que nascia quando recebia em casa crianças, filhos de amigos, sabia que eles poderiam querer desenhar, o que de fato acontecia, mais eu sempre pegava algumas canetas azuis ou pretas e dava para elas.
Naquele momento percebi que em todo o universo não existe outra caixa que tenha maior importância que a caixa de lápis de cor.
E eu encontrei minha outra vida.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Cílio de luz

No céu um cílio de luz observa 
todos os brilhos artificiais,  
envolto por brilhos que já se foram,
e por outros que acabam de nascer.
Por entre os troncos,
todos os tons de vermelho, 
amarelo, 
e laranja.
Neste universo imenso,
intenso é a vida,
o canto.
No céu um poema de paz
declamado por gaviões,
entoado por cigarras e  Camões, 
onde todos os falsetes são os mais verdadeiros que se podem ouvir.
No céu a mais bela tela, 
as mais belas cores, luzes e sombras, 
as mais belas nuvens,
pincelado pelo vento.
Fotografado pelos olhos.
Eternizado na memória de um dia.
No céu toda beleza de um chão,
apagado por um expoente de luz negra.
Iluminado por um cílio de luz.









segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Leitura

LEIA MINHA VIDA.
VERÁS QUE TODA BELEZA PROVEM DESSA LEITURA.
LEIA MEUS OLHOS, 
MEU CORPO,
VERÁS QUE CADA BRILHO, EXPRESSÃO, E TODOS OS MOVIMENTOS PROVEM DESSA                                   LEITURA
LEIA MEU CORAÇÃO.
VERÁS QUE DE LONGE TODAS PALAVRAS SE CONFUNDEM, MAIS NEM POR UM MILÉSIMO DE SEGUNDO DEIXAM DE SER VERDADEIRAS.
LEIA O AR.
VERÁS QUE POR ESSAS BANDAS AS SEMANAS SÃO SEMPRE MANSAS, A FRUTA SEMPRE MADURA, E A CHUVA NUNCA ASSUSTA, POIS É SEMPRE LINDA.
LEIA MINHA CANÇÃO.
VERÁS QUE CADA VERSO, 
QUE CADA ACORDE
TEM A MESMA INSPIRAÇÃO.
LEIA MINHA POESIA.
VERÁS QUE O VERBO É O MAIS BELO SUBSTANTIVO, COM O PATROCÍNIO DOS MAIS BELOS ADJETIVOS.




segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Ele

Preciso dormir.
Já rolei,
entrelacei meus pés.
O primeiro,
também é o último pensamento.
O corpo,
ele,
já desistiu,
mas a mente,
insiste em remontar e criar.
O que os momentos não dizem o corpo grita.
Ele,
que é o lugar do encontro,
da troca,
do outro,
das marcas,
ele,
que se move,
enfeitiça,
encanta.
Ele,
precisa dormir.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O som

"Toda arte é feita de silêncio - inclusive a própria música" Mário Quintana


Ouço uma respiração que não é minha
Que não é de ninguem
Ouço passos em uma estrada de pedra e poeira que leva a contemplação do meu sono
Ouço acordes, trombones, tambores, trompetes, apitos e sinos
Ouço crianças
Ouço uma cruel voz que emana de algum lugar dentro de mim
Ouço minha mãe
Minha mulher
Meu irmão
Ouço esse mundo e outros que não conheço
Me perco no som, me perco na música
Me encontro nos ruídos do desconhecido
Me encontro nos gritos vazios
Ouço tanta coisa que não me diz nada
E tão pouco o que preciso ouvir
Tento ouvir o passado e me esforço para ouvir o futuro
Mas me perco nos ruídos e me deixo ser achado na música.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Espero

Coloco flores nas janelas pra te esperar
Escrevo cartas e escondo  em lugares que sei que você achará
Acendo velas
Abro um vinho ruim
Ensaio acordes para te cantar
E espero...
Penso em tanta coisa
Penso no tempo e na dor
Nos temores e desejos
Mas não me esqueço do teu sorriso
Preciso de ti
Prerciso que volte
Preciso da substância que só você produz em mim
 E espero...

terça-feira, 27 de março de 2012

Teu olhar

Eu conheço os teus olhos
As cores, contornos e formas
O balé dos teus cílios.
Conheço o som dos teus passos
O tom da tua voz.
Eu sei da alegria
Da doçura, e dos temores.
Me lembro do canto que guardei
Mas que depois de algum tempo te entreguei.
O tempo na cidade quis parar
Nas igrejas e nas torres nunca mais trabalharam novamente.
Vasculho nos versos e poemas
Busco nos filmes de amor
Bato nas portas da memória
Forço a mente
Eu sei que existe
Que esta em algum lugar
Mas por hoje eu desisto
Me contento em conhecer o teu olhar.

Serra Gerais

Serra Gerais
Casa das flores
Varanda da lua
Janelas do sol.

Horizonte da música
Sinais de arte
Tempo de amor
Doces manhãs.

Gritos no olhar
Cartas na tarde
Primavera jardim
Velas do trem.

Esquinas a mais
Clubes a mais
Amigos a mais
Mundo Gerais.

sábado, 24 de setembro de 2011

Gira

Gira tudo.
Gira o que?
Rodas vivas giram a vida.
Gira nada.
Giram para que?
Gira um, gira dois, gira três.
Gira um dia, gira um mês.
Gira sempre.
Gira nunca.
Gira agora,
Só mais uma vez.
Gira lento.
Gira rápido,
Ate cansar, ate não aguentar, ate deitar, e o sono me enganar.
Espera buzinar.
Desliga o som,
Desliga o dia,
Pra recomeçar a girar.


terça-feira, 7 de junho de 2011

Os sonhos não envelhecem (download do ebook)


Milton Nascimento é o personagem central deste depoimento de Márcio Borges, primeiro parceiro de Milton. Como num filme delicado e arrebatador, ele reconstrói com paixão a história do país nos últimos trinta anos, a partir das lembranças dos meninos que um dia se encantaram com a música.


Ficha Técnica
Editora: GERAÇAO EDITORIAL
ISBN: 856150157X
ISBN13: 9788561501570
Edição: 6ª Edição - 2010
Número de Páginas: 376

domingo, 8 de maio de 2011

Horizonte de utopia


Para que serve a utopia?
Me pergunto todos os dias.
A utopia está no horizonte.
Bem distante de mim.
Se dou dez passos em direção ao horizonte.
Ele também dá dez passos se afastando de mim.
Para que serve a utopia?
Me pergunto todos os dias.
Todos os dias o horizonte me responde.
A utopia serve para você caminhar.

Fernando Birri 

Moça de vestido e sombrinha

Moça de vestido e sombrinha, parada em frente a igreja não sabe que as sacadas e janelas à vê.

Nostalgia, saudades de viver e estar onde nunca antes estivera.

Sobre os olhares da cidade, da igreja, das ruas e postes, das esquinas que se escondem, dos telhados coloniais.

Parada ali, um mundo exclusivo e particular à assiste.

E se eu me assentasse ao seu lado?

Minha cartola, meu terno, meu sapato, meu calor.

A tarde chega e a sombrinha se fecha, os cavalos levantam poera nas ruas, mas passam, assim como a tarde, os passaros, as pessoas e as horas.

A mesma sacada que à assinte, toca uma música para a moça de vestido e sombrinha.

E se eu lesse para ela? Minha lupa, meu livro, minha voz.

A lua gostaria de me ouvir, a moça talvez.


domingo, 7 de novembro de 2010

Fragmentos da primeira infância.

No meio do nada, longe de tudo;
Lá na curva da imaginação;
Distante do hoje;
Repousa fragmentos de lembranças, sentidos e descobertas.
Nesse quintal de terra batida, tudo parece muito maior,
nada tem tamanho real.
O brejo, no fundo da casa mais parecia um pantano, com suas taiobas e taboas.
A doçura da cana, o repulso do caju verde, o sabor amargo do café adoçado apenas com rapadura feito naquela chaleira esmaltada e toda descascada, o cheiro das espigas de milho assadas nas brasas do fogão á lenha, o gosto do requeijão de Araçuai que atenuava o sabor amargo do café, tudo isso mediavam descobertas de sabores, cheiros e paladares que se davam ao longo dos dias.
As tramelas das janelas e portas daquela casa simples, eram carrinhos giratórios, e as latas de sardinhas caminhonetes que carregavam terra, pedra, madeira, e tudo que criasse a imaginação.
Os sabugos de milho naquele tempo eram pessoas simples da roça, que voavam, dançavam, andavam de caminhonete de sardinha, e tudo mais que permitisse a imaginação.
A descoberta da tinta vermelha do orucum pintavam meus bonecos de milho e as fantasias daquelas tardes secas e quentes.
Desse curto tempo de infância, nada restou nem a casa, o quintal, o fogão, as tramelas, ou a inocencia.
O que resta são apenas fragmentos de lembranças que insisto em remontar.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Rola Moça

Os contornos dessa moça minério
contornaram e laçaram meu coração
no instante que à vi.
No horizonte, sua belaza, sua cor e cheiro,
são novas a cada amanhecer.
Por mais que eu à olhe,
não me canso.
Aos seus pés, já vivi uma vida.
Em seus ombros cantei minha fé.
Por onde eu vá meus olhos à proucuram,
seu mistério e encanto desperta meu desejo,
e com certo magnetismo atrai-me ao teu encontro.
Moça minério tô chegando.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Estação de ninguem

Eles passaram.
Infenso,
com pressa.
Nada falaram.
Apontaram pra um futuro que não conheciam.
Correram,
correram,
se debateram,
e de nada adiantou.
Se esqueceram de viver,
de amar,
de falarem a verdade.
Não notaram a delicadeza do mundo,
das coisas,
tão pouco das pessoas.
Na pressa de se fazerem ouvidos,
nada ouviram.
Mas eles passaram.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Que seja você

Eu sou esse trem
Trem de dois vagões
Que carrega esse corpo,
Essa alma.
Que corta esse cerrado,
Sem sangrar.
Que precisa de alguem.

Eu sou esse chão
Chão de ferro e pedra.
Que conhece seu valor
Que na história já macou
Sua dor
Que precisa de alguem

Que seja você

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Verdade Indesejada

O que me resta a não ser essa utopía que insisto acreditar e não me canso?
Não me interessa sua verdade.
Ela mora com minha mentira e as duas vivem de mãos dadas andando por ai zombando dos homens.
Não queira abrir meus olhos.
Eles já estão abertos e também vivem zombando do que vejo.
Essa estrela que brilha tão viva no céu
já não mais esta lá.
Não posso crer nos meus olhos.
Mas preciso!
Quero crer no impossível.
Esperar por algo que nunca chegará.
Crer que a lâmpada não se apagará.
Que a cura virá.
Não queira me desiludir, oh verdade
e não me visite sem ser convidada.

sábado, 28 de agosto de 2010

Encontro com o horizonte

Por esse caminho onde os negros coqueiros
se contrastam com o horizonte dessa tarde fria
te encontro.
Por esse caminho as janelas são infinitas
estão sempre abertas
e podem transcender o silêncio.
Por esse caminho vejo ela chegar
surgindo atras daquela serra
imponente, tão cheia si
se opondo ao astro maior desse dia que se finda
ao lado sua amiga
que também veio velar
por esse encontro
que não tem hora nem dia ou lugar

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Morte



Morte,
meio de transporte
que sempre leva a um novo norte
o mais triste recorte
que revela o quanto ela é forte
indesejada sorte
pura arte
da vida é o encarte
do medo o estandarte
da paz o enfarte
morte,
passaporte
da subjetiva parte.


quinta-feira, 17 de junho de 2010

...

Minha alforria se foi antes que eu pudesse tê-la em minhas mãos.
Mas com a ausência de seu choro aprendi sobre o tempo,
a vontate de viver,
sobre a preciosidade da frágil vida.
Aprendi que os dias, as semanas e os mêses,
as vezes são poucos para desenvolvermos o quanto é preciso,
e que frente ao perigo,
o melhor é se recolher e tentar ser imperceptível.
O mundo não era bom o suficiente para à ter,
O CÉU SIM.
Minha dor é saber que a primeira, foi a última vez que à vi.
Dela muita coisa ficou...
O que ela leva daqui, eu não sei,
mas espero que se lembre da minha voz...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Coadjuvante da tristeza

Entre o dia e a noite,
só tenho a noite.
As janelas da minha alma estão fechadas,
e de nada me serve estes olhos claros se escuro é o horizonte dessa espera.

Asfixiado em minha própria escuridão,
continuava eu,
coadjuvante da tristeza.
Mas antes que essa lâmpada se apague etrnamente,
preciso te ver com mais clareza.

sábado, 5 de junho de 2010

Você precisa ir

Efêmera noite de névoa e frio
seu tempo de trevas já chegou ao fim
O dono do dia quer entrar
e você precisa ir.
Assim como é transitório seu tempo
também é minha tristeza.
O sol que dissipa a escuridão e o mais denso nevoeiro
tem o direito de nascer novamente.
Por hoje chega de seus lamentos,
volte outro dia.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Minha razão

Preciso de uma razão,
de alguém que me inspire.
Inspiração que seja exatamente tudo o que você é.
Razão que tenha sua voz, seu cheiro e sua cor.
Preciso encontrar nessa tarde vazia teu abraço novamente,
porque nenhum abraço é como o outro,
e cada sorriso teu é único.
E é exatamente esse sorriso, a inspiraçao que preciso pra viver.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

À espera.



Espero ela chegar como quem espera uma carta de alforria
quando ela vier, estará perto da perfeição essa alegria,
findará essa agonia.
Em seis semanas ela mudou minha vida, e continuará a mudar.
Meu mundo abalou, mas com sua chegada tudo voltará a seu lugar.
Quando ela se for, não quero mais estar aqui,
mas enquanto por aqui eu passear seu choro e sorriso quero sempre ter junto a mim.
Carta Lara de alforria estou a te esperar,
vem me libertar.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sons de Minas

Chaleira na cozinha assobiou,
daqui a pouco tem café.
Deitado nessa rede ouço lavadeiras cantarem sua fé

Profunda simplicidade posso ouvir.
Sons profundos de um lugar que quero sempre estar.
Sons de Minas é viola, violão
é flauta e coração,
é seresta e procissão,
é canto é folia,
é cantiga e romaria,
é paz e alegria,
Minas minha canção.

Vivo nostalgía do que não vivi.
Ouço um universo simplista
que não me deixa partir.
Nessas alterosas
a música não tem fim.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Luz e caos

Vivo mundo com consciência de coisa alguma
conhecimento que nada explica, que apenas complica
curioso...
quem? onde? porque?
quatro bilhões,
antes durante e depois.
Velho simples novo,
onde nos chegamos? por onde passamos? onde nós estamos indo?
Porta vozes da razão que tudo jugam saber,
onde vocês estão?
Vivam e nôs deixem viver.
Teorias são só teorias.
Caos universal da mente humana,
vou apagar a luz.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Hoje

O meu canto não tem pranto,
Entretanto minha dor,
desperta seu pavor,
e dissipa seu rancor.
Em silêncio quero sofrer esse dia quente,
e esperar que volte a alegria que ardia.
Minha dor, é minha!
E não quero dividi-lá com você hoje.
Amanhã sera um outro dia.
Amanhã o sol não irá aparecer.
Me disseram que vai chover.
Hoje minha escolha é sofrer.
Me deixe sofrer!
Por que os outros dias eu prefiro crescer.

domingo, 18 de abril de 2010

Atitudes, ações desnecessárias.



Esse coração que quero te oferecer desesperadamente,
já te pertence faz tempo.
Essas palavras difíceis que proucuro pra te impressionar,
já foram lidas por você, e nem causaram tanta admiração assim.
E a canção que tento compor com acordes dissonante e inusitados,
essa já soou aos teus ouvidos, e você já à conhece bem.
Criações são só tentativas de encontrar o que está muito explicito.
Sua atenção eu tenho, mesmo assim à quero.
Atitudes que me faltam, são ações desnecessárias
Crises e conflitos que se formam, são teoremas infântis.
Me confundi essa graça que tenho, mas não sei usar,
onde esperar é caminhar, caminhar é esperar.
Quero para mim a vida daqueles passaros, que você disse,
que não plantam, mas comem todos os dias.
Paradoxos de uma vida, que quero aprender a viver.




sábado, 17 de abril de 2010

Belo Belô

Pé no asfalto
Estrada de terra.
Cidade pequena
Roça moderna.
Seguindo em frente
Arraigada a tradição.
Megalópole cosmopólita
Saúda sempre com um
Bão?
Do alto do curral posso te ver
Curral Del-Rey
Emoldurando o sol morrer.
Passa tempo
Cem anos passou.
Continua Belo o Horizonte
Que Deus criou.

sábado, 10 de abril de 2010

...ficou


Hoje acordei com medo,
Mas vi o sol dissipar a neblina da manhã.
Rajada fria de vento no rosto,
Abraço apertado da irmã.
Acordado vi,
O que só em sonhos senti.
Prazeres sem prazer,
Casa que quero construir.
E esse vento assustador?
Será que vai passar?
A tarde passou.
A noite chegou.
O sol foi embora.
O medo ...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Espera inesperada.

Cinza tarde de outono,
Enevoados pensamentos vem lembrar,
O que sozinho não posso desvendar,
Salta aos meus olhos, me obriga a chorar.

Verdade absoluta,
Que não se pode negar.
Faturas em aberto,
Que preciso pagar.

No canto violão,
Na mente confusão.
Na mente canção,
No canto oração.

Espera inesperada,
Posso duvidar.
Chegam todas juntas,
Não posso desanimar.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Onde está aquela porta?

Mundo que é só meu,
vida que não tenho.
Acordado sonhando,
dormindo caminhando.

Vida sem mim,
vida comigo.
Vago pelas ruas,
preciso de abrigo.

Louco, sem vida,
frustado, sofredor,
me dão dinheiro,
mas o que quero é calor.

Como cheguei aqui?
Como posso sair?
Onde está aquela porta?
Eu quero desistir.

Se sente no chão,
tampe seu nariz.
Pegue minha mão,
quero ser feliz.